O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP) voltou a demonstrar sua habilidade em mediação política ao dedicar o último fim de semana a uma articulação que vinha sendo considerada das mais delicadas dentro da base governista. Longe de Brasília, o parlamentar concentrou esforços na Paraíba e conseguiu recompor a relação entre o ex-prefeito de Cajazeiras, Zé Aldemir, e o governador João Azevêdo (PSB).
Zé Aldemir, que nos últimos meses fazia questão de externar seu descontentamento com o governo estadual, mantinha um distanciamento explícito desde a disputa municipal de 2024. Ele não digeria o fato de João Azevêdo ter apoiado a candidatura de Chico Mendes (PSB) em Cajazeiras, em oposição à sua indicada, Corrinha Delfino (PP), que mesmo com a vitória, a crise política permaneceu instalada.
A situação vinha preocupando o núcleo governista porque Cajazeiras assumiu papel estratégico para o projeto político de João Azevêdo após o ótimo desempenho obtido na cidade nas eleições de 2022 com mais de 26 mil votos no segundo turno. A permanência do rompimento enfraquecia as articulações para 2026 e criava ruídos em um momento de busca por coesão.
O impasse também refletia outra tensão interna: o desconforto entre o governador e o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena. João cobrava alinhamento integral do PSB e manifestava dúvidas sobre o empenho de Cícero na sua pré-candidatura ao Senado. Nesse clima, o distanciamento de Zé Aldemir, aliado histórico da família Ribeiro, tornava o cenário ainda mais sensível, principalmente porque ele ventilava apoio à reeleição do senador Veneziano Vital (MDB).
Diante disso, Aguinaldo Ribeiro decidiu intervir. Em um fim de semana de intensas conversas, o deputado chamou Zé Aldemir para uma recomposição e conduziu o diálogo diretamente com o governador na Granja Santana. O movimento surtiu efeito imediato: o ex-prefeito recuou da intenção de apoiar Veneziano e anunciou retorno ao bloco governista, garantindo apoio integral à chapa.
O episódio reforça a influência do deputado no cenário político paraibano. E deixou no ar um comentário entre aliados: se um fim de semana foi o suficiente para desatar um dos nós mais duros da base, o que Aguinaldo não faria se decidisse passar mais tempo atuando pessoalmente na Paraíba?

