Mesmo diante da ameaça de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) por um deputado da própria base aliada, o governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), preferiu tratar o episódio como irrelevante. Ao comentar a investida do deputado estadual Tião Gomes contra a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH), comandada por Pollyana Werton, o chefe do Executivo classificou o embate como uma “discussão muito pequena”.
A declaração foi dada nesta quinta-feira (18). Questionado sobre a crise instalada na Assembleia Legislativa, João Azevêdo adotou um tom de desdém e atribuiu a movimentação do parlamentar a interesses contrariados.
“São discussões, às vezes, quando você tem um interesse contrariado. A gente vai dialogar e encontrar o caminho”, disse o governador, como se a ameaça de CPI — um dos instrumentos mais duros do Legislativo — fosse apenas mais um ruído administrativo.
Na tentativa de esfriar o clima, João Azevêdo negou qualquer tipo de retenção de emendas parlamentares, afirmando que o governo não trava recursos. Segundo ele, a liberação depende apenas da apresentação dos projetos. “É assim que funciona”, resumiu, jogando a responsabilidade para o campo político da Assembleia.
Ao minimizar publicamente o conflito, o governador tenta passar a ideia de normalidade, mas o episódio expõe rachaduras evidentes na base governista, revelando que, nos bastidores, a relação entre aliados está longe de ser tão “pequena” quanto o discurso oficial tenta fazer parecer.

