A pouco menos de um ano das eleições de 2026, o cenário político da Paraíba começa a ganhar contornos cada vez mais complexos. Nos bastidores, uma verdadeira “salada de apoios” vem sendo montada, marcada não apenas por alianças tradicionais, mas também por aproximações incomuns entre partidos, lideranças regionais e antigos adversários. O movimento indica uma reconfiguração do tabuleiro político estadual e antecipa uma disputa marcada por estratégias ousadas e acordos pragmáticos.
Um dos episódios mais emblemáticos desse novo momento foi protagonizado pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, pré-candidato ao Governo do Estado. Após romper politicamente com o governador João Azevêdo, que deve disputar o Senado, Cícero oficializou seu retorno ao MDB em um grande ato político. O evento reuniu dirigentes nacionais da legenda, prefeitos, parlamentares e lideranças de diferentes regiões, sinalizando a capacidade do MDB de aglutinar um leque amplo e diversificado de apoios com foco em 2026.
Enquanto isso, na base governista, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), também passou a chamar atenção por articulações consideradas pouco usuais no cenário político local. Em encontro realizado em Lagoa Seca, Nabor dialogou com lideranças que até então orbitavam em campos oposicionistas, como o deputado federal Romero Rodrigues (Podemos) e prefeitos do PSDB. Recentemente, o gestor patoense recebeu ainda o apoio do deputado estadual Tovar Correia Lima (PSDB), reforçando a tese de que as fronteiras entre situação e oposição estão cada vez mais fluidas.
Outro nome que ganha destaque na corrida pelo Governo do Estado é o do senador Efraim Filho (União Brasil). Com forte presença política em diversas regiões da Paraíba, Efraim consolida apoios importantes em cidades estratégicas. Um fator novo nesse xadrez é a decisão de Pedro Cunha Lima (PSD) de não disputar o governo em 2026. Aliado de Efraim, Pedro pode se tornar um ativo relevante na construção de uma frente competitiva para a próxima eleição.
Paralelamente, a formalização da federação entre PT, PCdoB e PV na Paraíba, com mais de um pala quente pró Lula, fortaleceu um bloco coeso da esquerda, com potencial de exercer papel decisivo na definição das chapas majoritárias. A união não apenas organiza o campo progressista em torno de pautas comuns, como também amplia o poder de barganha do grupo nas negociações políticas, especialmente na composição de candidaturas ao Governo e ao Senado.
Mais do que a simples soma de votos, essas movimentações revelam um ambiente em que relações pessoais, alianças regionais e gestos estratégicos se sobrepõem às antigas divisões ideológicas. Prefeitos, deputados, ex-governadores e lideranças municipais participam de encontros que desafiam rótulos tradicionais e materializam o conceito das chamadas “alianças improváveis”, em que adversários eleitorais encontram convergência diante de objetivos maiores.
Com a “salada de apoios” ainda em constante formação, o impacto dessas articulações pode ser decisivo para a definição das candidaturas ao Governo do Estado, ao Senado, a Câmara dos Deputados e para a construção de palanques robustos em 2026. Na Paraíba, o cenário aponta que a próxima eleição será menos um embate clássico entre partidos e mais uma arena de negociações, aproximações e estratégias capazes de surpreender até os analistas políticos mais experientes.

