Amazon exigia três dias de presencial sem mínimo de horas e funcionários batiam ponto para pegar café e voltar para casa (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
A Amazon instituiu um tempo mínimo de trabalho presencial para seus funcionários. Em 2023, a big tech obrigou os empregados a voltarem aos escritórios em esquema híbrido, com três dias de trabalho presencial, mas sem definir as horas mínimas. Agora, dependendo da equipe, será necessário ficar de duas a seis horas no presencial.
A informação foi divulgada pelo Business Insider, que teve acesso às mensagens publicadas no Slack, canal de comunicação usado pela Amazon. O comunicado diz que a medida visa, entre outros pontos, combater o “coffee badging”.
“Quem bate cartão, não volta com café”
Explicando o coffee badging: para driblar a exigência, os funcionários batiam ponto, pegavam café e iam embora para o home office (“se tem lei, tem brecha”). Essa prática não acontece só na Amazon. Ela é uma espécie de movimento criado por empregados insatisfeitos com políticas de retorno ao escritório — e que não detalham o mínimo de horas a cumprir no presencial.
Conforme os comunicados recebidos pelo Business Insider, as divisões de varejo e computação em nuvem precisam fazer um mínimo de duas horas nos dias presenciais. Outras equipes terão que cumprir seis horas no escritório.
Setor de cloud computing da Amazon terá que passar um mínimo de duas horas no presencial (Imagem: Divulgação/Amazon)
A medida deve aumentar a insatisfação dos funcionários com a política de retorno ao presencial da Amazon. 30 mil empregados chegaram a assinar uma petição contra essa decisão da empresa. A big tech também bloqueou as promoções de quem não cumpre o mínimo de dias presenciais.
Os funcionários da Amazon reclamaram da decisão, mas não necessariamente pela exigência das duas horas mínimas. Os empregados criticaram a falta de transparência de como essas horas serão monitoradas e se isso é legal.
Um funcionário, segundo mensagem do Slack obtida pelo Business Insider, questiona se ir ao escritório almoçar por duas horas atende a exigência da empresa. Outro empregado comparou a nova regra a tratar os funcionários como estudantes do ensino médio — e que eles agirão conforme estivessem no colégio.
Nova medida da Amazon deve aumentar a instatisfação dos funcionários com esquema híbrido (Imagem: Vitor Pádua/Tecnoblog)
A pandemia de Covid-19 fez muitos funcionários pegarem gosto pelo home office, mostrando que o trabalho pode ser feito de modo eficiente em casa. Contudo, com a diminuição dos casos da doença, aumento da vacinação e fim de medidas de distanciamento, algumas empresas passaram a exigir o retorno ao escritório.
Um dos motivos para isso foi o investimento de algumas companhias em aluguéis (grandes empresas costumam pagar meses ou anos adiantados), compras de imóvel e construção de novos prédios. A Amazon, por exemplo, segue abrindo escritórios nos Estados Unidos e outros países. No ano passado, o ambicioso projeto do prédio em formato de dupla-hélice foi adiado, mas ele integra um complexo finalizado em 2023.
A agressividade da Amazon no cumprimento do trabalho híbrido contrasta com sua posição de alguns anos atrás. Após Elon Musk obrigar os funcionários da Tesla a voltar para o presencial, algumas divisões da Amazon fizeram “campanha” para atrair empregados da montadora usando o home office como vantagem.
Com informações: Business Insider
Amazon quer acabar com trabalho presencial só para o cafezinho
