A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (10) uma operação no município de Lucena, Litoral Norte do estado. A operação, denominada Kimberly, tem o objetivo de investigar crimes de lavagem de dinheiro oriundos do comércio ilegal de diamantes de sangue e violação de direitos humanos em Serra Leoa, na África.
De acordo com a PF, o crime de lavagem de dinheiro investigado decorre de investigações realizadas pela Polícia Nacional Espanhola, que, por sua vez, apura crimes contra a humanidade e organização criminosa praticados pelos mesmos investigados. As investigações revelam um esquema complexo e internacional de exploração e comercialização de pedras preciosas, diretamente ligado a graves violações de direitos humanos.
Foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em imóveis de Manuel Terrén Parcerisas, um deles, o Hotel Costa Brava, onde ele é sócio-administrador desde 2011. Manuel é apontado pela polícia espanhola como membro de uma organização que atuou na década de 1990 na exploração e venda ilegal de pedras preciosas, entre elas diamantes, para financiar o grupo paramilitar Frente Unida Revolucionária (RUF), que teve papel central na guerra civil de Serra Leoa.
Naquela década, o conflito em Serra Leoa deixou mais de 70 mil mortos e 2,6 milhões de desabrigados, como destacou o jornal El País em matéria sobre a prisão de Manuel Terrén. Manuel, que consta como sócio de empresas na Paraíba, foi preso no último dia 06 em um aeroporto na cidade de Málaga. Ele estava sendo investigado desde janeiro de 2022 pelas autoridades espanholas, que agora colaboram estreitamente com a Polícia Federal brasileira para desmantelar essa rede criminosa.
Esta operação é um passo significativo na luta contra o comércio ilegal de diamantes de sangue e a consequente violação de direitos humanos, mostrando o comprometimento das autoridades brasileiras e espanholas em combater essas atividades ilícitas e trazer os responsáveis à justiça.

