As festas natalinas cumprem um papel simbólico importante. Embelezam as cidades no fim do ano, movimentam a economia local e reforçam o clima de celebração para a maioria da população. No entanto, assim como ocorre com os festejos juninos, esse encanto tem custado caro e, em alguns casos, caro demais aos cofres públicos.
Dados do Observatório Festividades, do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), revelam que somente em 2025 os 223 municípios paraibanos investiram cerca de R$ 26 milhões em festas de Natal. Em 2024, o montante foi ainda maior, chegando a R$ 38 milhões, enquanto em 2023 os gastos somaram R$ 28 milhões. As informações estão atualizadas até o dia 30 de dezembro.
No ranking divulgado pelo TCE, um município em especial chama atenção não pelo tamanho, mas pelo valor desembolsado. Com pouco mais de 29 mil habitantes, Lagoa Seca, vizinha a Campina Grande, aparece entre os maiores gastos do estado. A prefeitura investiu R$ 2,4 milhões em festividades natalinas, segundo os dados oficiais do órgão de controle.
O valor supera, inclusive, o gasto da capital paraibana. João Pessoa, com população e estrutura incomparavelmente maiores, investiu R$ 1,9 milhão no mesmo período. Ainda conforme o levantamento, municípios como Serra Grande, Aguiar e Salgadinho também ultrapassaram a marca de R$ 1 milhão, mas o caso de Lagoa Seca se destaca pela discrepância entre porte da cidade e volume de recursos aplicados.
A prefeita Michele Ribeiro não se pronunciou sobre os números. Aliados da gestão argumentam que os valores podem incluir despesas com a chamada “Festa do Artesanato”, realizada em dezembro, explicação que não consta de forma detalhada no levantamento do TCE.
O dado ganha contornos ainda mais delicados quando se observa a situação fiscal do município. Em outubro do ano passado, a gestão de Lagoa Seca já figurava entre aquelas que descumpriam o limite de gastos com pessoal estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Segundo o próprio TCE, à época, 67% da Receita Corrente Líquida do município estava comprometida com folha de pagamento, bem acima do limite legal de 54%.
Em meio a um cenário de restrições fiscais, os números levantam questionamentos inevitáveis sobre prioridades administrativas e o peso real dessas celebrações para a população.

