Uma crise pública expôs, nesta semana, o desgaste interno na base do governador João Azevêdo (PSB). O deputado estadual Tião Gomes, aliado histórico do governo, anunciou que vai protocolar na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB) um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH), comandada pela ex-deputada Pollyanna Werton, também do PSB.
A acusação é grave e atinge em cheio uma das pastas mais sensíveis do governo. Segundo Tião, a SEDH estaria descumprindo emendas impositivas destinadas a projetos sociais voltados a famílias em situação de vulnerabilidade. O parlamentar afirma que recursos aprovados pelo Legislativo não estariam sendo executados, o que, para ele, configura desrespeito à lei e ao papel do Parlamento.
Em tom de insatisfação, Tião Gomes adiantou ainda que a CPI pode ter seu alcance ampliado para analisar o programa “Tá na Mesa”, com foco nos critérios adotados, na transparência da execução e na distribuição das cestas básicas pelo estado, um tema que, inevitavelmente, traz desgaste político para o governo.
A secretária Pollyanna Werton negou qualquer irregularidade e jogou a responsabilidade de volta para o deputado. Segundo a titular da SEDH, as entidades indicadas nas emendas não cumpriram os requisitos legais para liberação dos recursos. “Limpeza de lama de açude não é na Secretaria de Desenvolvimento Humano, é lá na infraestrutura. Sequer foi dada entrada na documentação”, disparou, ao afirmar que faltaram planos de trabalho e que algumas associações nem sequer atuam na área da pasta.
Mesmo diante da troca pública de acusações, Tião tenta reduzir o tom político do embate. Ele afirma que a iniciativa não é pessoal e sustenta que a CPI busca garantir transparência, legalidade e responsabilidade na aplicação dos recursos públicos. “As emendas são impositivas, aprovadas pelo Parlamento, e precisam ser executadas. Estamos falando de políticas públicas que atendem diretamente famílias em situação de vulnerabilidade”, declarou.
Nos bastidores da ALPB, o episódio já é visto como mais do que um simples desentendimento administrativo. Caso Tião consiga o número necessário de assinaturas para instalar a CPI, o movimento tende a escancarar fissuras dentro da própria base governista, ampliando o clima de tensão e colocando o governo João Azevêdo na defensiva nos próximos dias.

