Estudantes da Residência Universitária do Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) voltaram a expor, de forma contundente, a realidade de insegurança alimentar que enfrentam, uma realidade que, segundo eles, não recebe a atenção mínima da administração. O protesto pacífico, realizado na noite desta segunda-feira (8), evidenciou o que muitos chamam de “abandono institucional” no período em que o Restaurante Universitário (RU) permanecerá fechado.
O ato ganhou força por volta das 23h, na entrada próxima ao Hospital Universitário Lauro Wanderley, onde os residentes montaram uma barricada simbólica com entulhos e eletrodomésticos abandonados: geladeiras quebradas, máquinas de lavar sucateadas e armários enferrujados. O cenário, longe de ser aleatório, foi escolhido para espelhar a própria situação da moradia, um acúmulo de problemas ignorados há meses.
Nas faixas estendidas pelos estudantes, a mensagem era direta e desconfortável para a gestão: “A RUMF tem fome”. O aviso, repetido em diversos cartazes, denunciava a incerteza sobre o auxílio alimentar durante o período em que o RU permanecerá fechado entre 17 de dezembro de 2025 e 30 de janeiro de 2026, segundo a Pró-Reitoria de Assistência e Promoção ao Estudante (PRAPE).
Mesmo com o anúncio de que os estudantes receberiam uma pecúnia para custear as refeições, a administração não apresentou o básico: datas claras, valores finais e critérios transparentes. Para quem depende integralmente das três refeições diárias do RU, a falta de informação soa mais como descaso do que como planejamento.
A situação se agrava com o atraso no pagamento do auxílio moradia de R$ 400, um valor que, além de congelado desde 2020, já não cobre nem de longe as necessidades básicas de alimentação, higiene e manutenção da residência. Sem reajuste e sem previsibilidade, os estudantes afirmam estar pagando a conta de uma gestão que insiste em fingir normalidade.
Nos dias posteriores à barricada, a PRAPE anunciou um cálculo baseado no número de refeições registradas entre 3 de novembro e 2 de dezembro. Apenas quem preencheu um formulário até 27 de novembro terá direito ao auxílio, mais um ponto que gerou revolta, já que muitos alegam não ter sido devidamente informados.
A universidade ainda divulgou que os valores variam entre R$ 540 e R$ 899, dependendo das refeições registradas. Porém, para os residentes, a pergunta que continua sem resposta é simples: quando o dinheiro chega? E por que critérios tão confusos para algo tão básico quanto garantir alimentação a estudantes em vulnerabilidade?
Enquanto isso, a barricada permanece como símbolo: não apenas de protesto, mas de um pedido urgente para que a UFPB pare de tratar o problema da fome estudantil como um detalhe administrativo e passe, enfim, a assumir responsabilidade.

