A greve dos professores da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) completou dois meses neste domingo (1º) e, enquanto o governo do Estado insiste em propostas consideradas insuficientes pela categoria, milhares de estudantes continuam sendo os maiores prejudicados. A paralisação, iniciada em 22 de setembro, segue sem qualquer perspectiva de solução efetiva.
Em assembleia realizada neste domingo (1º), a ADUEPB decidiu pela continuidade da greve, após os docentes rejeitarem novamente a proposta apresentada pelo governo: pagamento do retroativo com 40% de deságio e ainda dividido em 24 parcelas. Para uma categoria que reivindica direitos congelados há anos, a proposta foi considerada mais um gesto simbólico de desrespeito.
A decisão de manter a paralisação veio após intenso debate e análise da conjuntura. Na mesa tripartite da última sexta-feira (28/11) que reuniu representantes do governo, da reitoria e da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior, o Estado apresentou alternativas que, na prática, pouco avançam. O impasse evidencia a ausência de prioridade com a educação superior pública e escancara a falta de sensibilidade com quem sustenta o funcionamento da instituição: seus docentes e alunos.
Além da discussão sobre o retroativo, a categoria também deliberou sobre a participação do sindicato na mesa de negociação permanente, onde serão tratadas pautas há muito tempo ignoradas pelo governo, como atualização do PCCR, infraestrutura precária, revisão da Lei de Autonomia da UEPB, realização de concursos e problemas previdenciários. Temas repetidos, ano após ano, que seguem acumulando poeira nas gavetas do Executivo estadual.
Uma nova assembleia está marcada para o dia 9 de dezembro, quando os professores irão avaliar se houve ou não, avanço nas negociações. Pelos sinais até agora, dificilmente haverá.
Enquanto isso, a rotina dos estudantes da UEPB segue suspensa, aulas interrompidas, pesquisas paradas e sonhos colocados no compasso de espera. E tudo porque o governo insiste em empurrar soluções paliativas, tratando a pauta da educação como algo secundário.

