A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) enfrenta uma grave crise financeira e estrutural, colocando em risco tanto a integridade física de suas instalações quanto a qualidade do ensino oferecido. O professor Juracy Lucena, do Departamento de Química, trouxe à tona a gravidade da situação durante uma entrevista à rádio Caturité FM, revelando um quadro alarmante.
Segundo Lucena, a situação chegou a um ponto crítico, forçando a reitoria a ser evacuada por risco de desabamento. “A reitoria está funcionando no Redentorista, porque o prédio precisou ser evacuado por risco de desabamento. Simplesmente não há dinheiro para fazer as reformas necessárias”, lamentou o professor, destacando a falta de recursos que compromete a manutenção de todos os setores da universidade.
A crise financeira afeta diretamente a capacidade da UEPB de manter suas operações básicas. Conforme explicado por Lucena, a folha de pagamento da universidade é de R$ 28 milhões, enquanto o governo do estado repassa apenas R$ 30 milhões, deixando pouco espaço para cobrir as demais despesas essenciais. “Essa diferença é muito pequena para arcar com todas as despesas da reitoria”, afirmou.
Além das dificuldades financeiras, a UEPB enfrenta desafios na contratação de professores efetivos, o que prejudica a qualidade da formação acadêmica. “50% das aulas são ministradas por professores substitutos em situações precárias. A UEPB não tem capacidade financeira para contratar professores efetivos, o que prejudica a formação dos nossos alunos”, explicou Lucena.
A crítica também se estendeu ao governador João Azevêdo, acusado de negligenciar a situação da universidade. “O governador tem demonstrado um desprezo evidente pela UEPB. Ele não recebe a reitoria e não reconhece a importância da universidade como um patrimônio da Paraíba”, concluiu o professor, refletindo a indignação crescente entre a comunidade acadêmica.
A crise na UEPB expõe não apenas a fragilidade estrutural da instituição, mas também as graves consequências de uma gestão financeira insuficiente, que coloca em risco o futuro de milhares de estudantes e a continuidade de uma das mais importantes universidades do Estado.

