Após meses de queixas públicas e ruídos internos, o médico e ex-secretário de Saúde do Estado Jhony Bezerra anunciou, nesta terça-feira (03), apoio à pré-candidatura do prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena, ao Governo do Estado. O gesto sacramenta o rompimento político com o governador João Azevêdo — uma relação que, nos bastidores, já vinha sendo mantida por aparelhos.
Os desgastes começaram ainda no fim da campanha de 2024, quando Jhony obteve expressiva votação na disputa pela Prefeitura de Campina Grande, com 98 mil votos. Apesar do desempenho, não retornou ao comando da Secretaria de Saúde, repetindo roteiro já aplicado ao antecessor, Geraldo Medeiros. Para amenizar o desconforto, foi alocado na superintendência da Fundação PB Saúde, responsável pela gestão de hospitais estaduais — movimento visto por aliados como rebaixamento político para quem coordenou a campanha de João na região de Campina em 2022 e ajudou a fortalecer o PSB na cidade.
A fritura, porém, não cessou. Diretorias indicadas por Jhony foram substituídas por nomes ligados ao deputado Adriano Galdino, e aliados acabaram exonerados no Diário Oficial. O que era ruído virou rompimento. O aliado de ontem passou a enxergar no antigo parceiro o principal obstáculo ao seu projeto de disputar uma vaga na Câmara Federal.
Para João Azevêdo, o rompimento representa mais uma baixa na base governista, somando-se a outras movimentações recentes de aliados que buscaram novos rumos. Para Jhony, a decisão parece seguir a velha máxima da política: o adversário mais perigoso pode estar ao lado. Ao trocar o “fogo amigo” por um confronto declarado, ele aposta que é melhor enxergar o oponente de frente do que ser surpreendido nos bastidores.
O fato é que, se antes caminhavam no mesmo projeto, agora João e Jhony medem forças em campos opostos — numa ruptura que expõe não apenas divergências administrativas, mas ambições eleitorais que já não cabiam no mesmo palanque.

